Gaeco deflagra segunda fase Operação 'Dominó' e mandados são cumpridos em Uberlândia

06/02/2019 22:09:03

Gaeco deflagra segunda fase Operação 'Dominó' e mandados são cumpridos em Uberlândia

Chamada de "Mercenários", cinco pessoas tiveram a prisão temporária decretada e oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

 

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O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou nesta quarta-feira (06) em Uberlândia a 2ª Fase da Operação "Dominó", chamada de Mercenários. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária - com prazo de 30 dias, e oito mandados de busca e apreensão. A operação contou com a participação de aproximadamente 45 policiais militares. Entre os presos nesta quarta-feira estão dois policiais militares.

 

A investigação, que é desdobramentos da primeira fase deflagrada no dia 19 de dezembro, tem prazo de 30 dias para ser concluída. Em seguida será oferecida denúncia criminal contra os envolvidos.

 

Mercenários

Segundo informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o objetivo desta fase foi investigar a constituição e o funcionamento da organização criminosa que tem como principal atividade a prática de homicídios encomendados com pagamento ou promessa de recompensa, entre outros crimes como roubo de cargas.

 

Ainda conforme o Gaeco, os investigados são responsáveis pela execução de Marcos de Lucena Silva, que foi morto no dia 07 de dezembro de 2018, nas proximidades da Cachoeira de Sucupira. A vítima tinha diversos antecedentes criminais, entre eles, receptação de caminhões que eram produto de crime, e também mantinha relacionamento criminoso com vários investigados na Operação Dominó.

 

 

 

Consta na investigação do Gaeco, que o homicídio de Marcos de Lucena foi praticado mediante o pagamento de valor pecuniário, com requintes de crueldade, uma vez que a vítima foi atingida nas articulações por vários disparos e com utilização de recurso que impossibilitou a defesa. Além disso, conta que a vítima foi atraída para um encontro e que o crime contou com a participação direta de pelo menos dois policiais militares da ativa. No crime foram utilizadas pelo menos duas armas de fogo de diferentes calibres na execução.

 

Questionado pelo G1 a respeito do “preço” de cada morte, o promotor Daniel Marotta não revelou detalhes, mas informou que as investigações demonstram que as mortes ocorriam por disputa de território ou até mesmo queima de arquivo.

 

Apesar de a investigação seguir em segredo de justiça, o promotor Daniel Marotta reforça que há provas incontestáveis da participação dos acusados presos nesta quarta-feira em vários delitos. Segundo Marotta, ficou clara a frieza dos envolvidos, sendo que eles agiam como se tratassem de atividades corriqueiras.

 

Entre os presos nesta quarta-feira, estão um soldado formado em 2017 e um cabo que está na corporação desde 2007. Na residência do cabo foram localizados e apreendidos munições de fuzil e um aparelho utilizado para bloquear o sinal de veículos roubados, além de R$ 8 mil em espécie. Enquanto que na casa do soldado os agentes encontraram a placa de um bitrem roubado no ano passado e uma porção de maconha.

 

O comandante da 9ª Região da Polícia Militar (RPM), coronel Cláudio Vitor Rodrigues, lamentou o envolvimento de militares nas ações criminosas investigadas pelo Gaeco. Segundo ele, a corporação não admite qualquer tipo de desvio de conduta e o comando tem atuado de forma firme e integrada para coibir qualquer prática criminosa, em especial com a participação de policiais militares. “Não aceitamos que aquele que defende a sociedade, que use nossa farda, passe para o lado de lá e se associe com criminosos para a prática de delitos que imponham à sociedade qualquer tipo de situação de terror, medo e perda de patrimônio”, disse. Ainda segundo ele, não havia sinais de que os PMs presos nesta quarta-feira estariam envolvidos com práticas criminosas.

 

Já o promotor Adriano Bozola se referiu ao nome da operação para lembrar que a mesma deve ter vários desdobramentos nos próximos meses. “É a apenas a segunda peça do dominó. Está claro que, mesmo após a primeira fase da operação, eles não se intimidaram, inclusive em matar”, afirmou.

 

1ª Fase

Mais de 150 mandados judiciais foram cumpridos no Triângulo Mineiro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia no dia 19 de dezembro.

 

A Operação “Dominó” visava coibir a atuação de organizações criminosas da região em crimes como roubo de cargas e receptação de veículos. Na época, a ação ocorreu em Uberlândia, Araguari, Uberaba, Monte Carmelo, Abadia dos Dourados, Centralina e Canápolis.

 

As investigações do Ministério Público Estadual (MPE) resultaram no oferecimento de 11 denúncias ao Judiciário contra os alvos e mais de 90 veículos com sequestro decretado entre caminhões, motocicletas e carros de passeio.

 

A ação contou com o apoio da Polícia Militar e auditores da Receita Estadual.

 

Efeito dominó

Segundo as informações da Promotoria de Justiça, as investigações iniciaram em março de 2018, depois da apreensão de dois caminhões furtados no interior de Goiás. Na ocasião, dois criminosos foram presos em flagrante.

 

Os integrantes da primeira quadrilha investigada tinham o hábito de consultar um pai de santo para ter a aprovação do líder religioso antes de cometer os crimes. Com o decorrer dos trabalhos, foram identificadas outras organizações criminosas que também atuavam no roubo de cargas, receptação de cargas e veículos, e roubos a propriedades rurais e de veículos.

 

O nome da operação faz referência ao "efeito dominó" ocorrido ao longo das investigações, uma vez que a identificação de uma quadrilha levava à ligação dos outros grupos criminosos. Na primeira fase da operação foram identificadas sete organizações distintas com atuação nas regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e sul de Goiás.

 

O Gaeco apurou que os roubos foram a cargas variadas de café, cerveja, grãos, defensivos agrícola, cosméticos, entre outras.

 

 

 

 

 

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